Vi-te e me viste. Que avidez cegava
Os nossos olhos que a paixão enchia!
Quanto mais eu te via, mais te olhava;
E, em te me vendo olhar, mais eu queria…
Cabelo, colo, Braços, te envolvia
Toda, na mesma comburente lava,
Que nos meus olhos fúlgidos sentia,
Que nos teus olhos, puros, chamejava.
E, por tão longo tempo nos fitamos
Com tamanho fulgor e de tal arte,
Que de tanto nos vermos nos cegamos.
Tu dizes que não podes olvidar-te;
Eu, desde o dia em que nos contemplamos,
Outra coisa não vejo em toda parte.
Alberto Silva
- Text
- 2012.04.22-19:55










